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Arquivo de março, 2002

Marx ou Bakunin?

26, março, 2002 Paulo Marinho Sem comentários

:: CHInewsKI Online – Edição nº 43 – Rio de Janeiro, 26 de Março de 2002::

Marx ou Bakunin?

Acabei de ler o cavaleiro das Trevas 2. Não, quem me dera ser a obra completa. O Chinewski tem o prazer de dizer que será o primeiro zine a comentar a obra. Li duas vezes as duas edições já lançadas pela Abril.
É só o que sobrou da ala super-heróis, os heróis da DC Comics (para quem não sabe, SuperHomem, Batman, Lanterna Verde, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, Flash, entre outros não tão famosos).
Nos anos oitenta, algumas revistas me marcaram a vida. Uma foi Watchmen, que até hoje acho, talvez, insuperável. Sandman também me marcou no fim destes anos. Mas nada barra o Cavaleiro das Trevas (como chamam o Batman), já velho, lutando contra a tirania e a apatia que tomara a nação. Um clássico não de quadrinhos, mas da literatura, assim como os que citei antes, pois o que mais marca não são os desenhos, mas os roteiros perfeitos feitos.
Quinze anos depois, Frank Miller, o autor do primeiro, lança esta continuação. Não vou falar que estava ansioso. Para mim, o primeiro era uma história fechada, sem brechas para continuação.
Mas a História parou?
Não.
O Onze de Setembro aconteceu. O mundo está em crise e ninguém faz nada. Não há revoluções, nada. Algumas guerras que as mídias de cada país tentem apagar. Surgem-me nas mãos um livro de Noam Chomski sobre o Onze de Setembro…surge o Pasquim21…surge o Hora do Povo, o jornal mais radical do país, mas que às vezes exagera….
E surge Cavaleiros das Trevas 2.
Não é uma obra prima como o primeiro. Mas não posso afirmar isto.
Lembrem que “O Planeta dos Macacos” só virou um clássico pela cena final. Impressiona-me saber que o roteiro da história foi feito antes de Onze de Setembro. Engraçado estar fazendo uma resenha de uma revista em quadrinhos e não conseguir parar de falar nisso. Mas isso não é um “gibi”. É uma história. Em quadrinhos.
Muito foi-se estragado. Mulher Maravilha e Super Homem terem uma filha? Ressuscitar heróis de segunda categoria? O Capitão Bumerangue (um dos meus prediletos, que até apareceu no seriado do The Flash) aparecer? Que apelo!!!
Mas algo salva tudo.
Vou parafrasear Bruce Wayne, que, para quem leu até aqui, não acredito que não saiba que é o Batman:
“O mundo precisa de heróis.”
A primeira vez que li esta frase, ela pra mim soou diferente. Mas ao continuar a ler a história, fiquei em dúvida de quem ele estava colocando como herói. Bin Laden? A maneira de que ele coloca as narrativas de Questão (um herói sem rosto) e Arqueiro Verde (literalmente um Robin Hood) são absolutamente marxistas. A idéia de querer deixar o povo novamente no poder, acabar com a mídia que domina a mente apática das pessoas, não deixa dúvida.
Mas a história é de Batman.
E ele quer quebrar todo mundo.
Ele é Bakunin. Lidera uma gangue de púberes com máscaras dele (alguém lembrou da crítica de Eminem em The Real Slim Shady?) que só querem derrubar o poder. O que virá depois? Não sabem, mas querem derrubar o poder. Querem que cada um saiba o que faz. Sem influências.
Já temos jogadas tão geniais quanto a primeira versão de Dark Knight.
As heroínas “a la Britney Spears”, que só falam “tipo assim”, de colant nas ruas, as votações via internet, a ex-Mulher-Gato sendo uma hacker, as “jornalistas” dando notícias nuas para atrair o Ibope (que já é a prova do que eu estou falando, se entenderam), são sensacionais. São o que fazem a gente sentir o prazer das histórias em quadrinhos.
Pecados capitais das histórias em quadrinhos foram feitos. Isso de colocar Lex Luthor como o grande vilão, com comparsas, foi péssimo.
Foi querer reviver a luta do Bem e o Mal. Eles são os únicos que vão contra a narrativa Frank Miller, ou seja, são os únicos que são maus mesmo, sem dúvidas. Até o Super Homem, você não sabe ao certo de que lado estão.
Nota queridíssima para Jimmy Olsen, como o jornalista paranóico que revela a verdade em rede nacional. Sensacional é pouco.
Mas não vou criticar.
O desgraçado conseguiu de novo.
Eu estou (e sei que pessoas que são quinze anos mais novos que eu) reavaliando sobre a situação mundial. Sobre a falta de “heróis” como Malcolm X, Lênin, e até Gandhi, um dos maiores em minha opinião. A falta de inimigos declarados como Hitler, Genghis Khan e Atila.
A guerra está aí fora, sem heróis nem vilões.
Mas o Onze de Setembro foi a prova de que há uma guerra que poucos vêem.
Falta uma edição para saber o que Frank guardou para o desfecho de “seu mundo”. Sei que ele escreveu o último (pasmem, somente este último), depois do dia das torres.
E falta pouco para que jovens vejam realmente o que aconteceu, sem a narração do Cid Moreira, dizendo que Bin Laden é mau, Bush (qualquer
um) é bom.
Não há mais espaço para bons e maus.
Mas ainda há espaço e chance, de heróis.; Será que Frank Miller criará, de certa forma, um, com sua próxima edição?
Aguardem em um mês.
Podemos não ter um próximo Martin Luther King, mas teremos pessoas que, espero, pensem mais, mesmo que pelos quadrinhos.

::Paulo Marinho::

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Never gonna stop the flow

26, março, 2002 Paulo Marinho Sem comentários

:: CHInewsKI Online – Edição nº 43 – Rio de Janeiro, 26 de Março de 2002::

Never gonna stop the flow

Não vou me repetir. Não vou escrever as mesmas palavras. Já falei aqui várias vezes por que estou aqui. Mas então por que diabos estou escrevendo isso?
Por que não para de escrever e repetir isso?
Porque eu não consigo parar de escrever.
E ler.
E tocar.
E escutar.
E ver.
E observar.
Aqui vejo muita gente. Marqueteiros, jornalistas, poetas, já vi até historiadores passando linhas por aqui.
Tenho músicas gravadas. Tenho livros escritos. Tenho um blog. Uma amiga daqui me perguntou : Como você consegue fazer tanta coisa assim?
Eu me pergunto hoje: Como consegui ficar tanto tempo sme fazer estas coisas?
Sou um cara sentimental que me dá raiva. Observador, quieto. Meu apelido no trabalho é psicopata por isso. Estranho, que somente uns sabem que escrevo contos que realmente dariam sentido ao que falam.
Mas não consigo parar. Hoje vi uma velha no ônibus. Quieta. Sozinha.
Escutando seu walkman. Mas não consegui parar de fitá-la e pensar sobre ela.
De sentir ela.
Sentir as pessoas.
Cheguei no trabalho e escrevi. E vou publicar aqui ao lado. Ali em clica ni mim.
Queria um dia poder viver disso. Não quero fama. Não quero dinheiro.
Não quero porra nenhuma. Só poder continuar escrevendo e talvez mexendo com a cabeça das pessoas.
Me dar prazer e dar prazer. Dar vida.
Estou dando um pouco de vida a este espaço.
Um filho adotado.
Nào vou escrever pequeno para internet. Não vou deixar de falar de perversões.
Não vou deixar de falar.
Acho que vejo coisas que muitos não vêem e a maior parte nem que pensar e falar.
Eu quero cutucar.
Eu vi a sua alma. Vi sim, estava bem claro em sua retina.
E vou escrever disso.
Apesar de nunca ter te visto.
Já faz um ano… it’s a long way, baby. Faz um ano que voltei a escrever como sempre quis desde criança.
Vou em uma linha dar os motivos:

Dead Poets Society Historia Sem fim Sebadoh Renato Russo Cazuza Monteiro Lobato Sandman Amor Sócrates Alan Moore Paixão Sexo alvares de Azevedo Sexo Bebes Stephen King Música Orgasmo David Bowie Peter Pan Dexter Morte Universo Sexo Morte Assassinato Grant Morrison Vida Rubem Fonseca Goonies Traumas de Infancia Sentimentalismo Shakespeare

Simples, não? É óbvio.
ah, esqueci de um motivo. Eu sei que o que eu falei você não quis escutar.
Mas em algum lugar você escutou
E sentiu.
Quer mais?
É só continuar voltando
E vou continuar escrevendo você sabe sobre o que.

Valeu pelo apoio. Vocês sabem quem são. Vocês sabem quem serão.
Sejam.

::Tommy Molto::

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