28 de janeiro de 2003

World Lula

Hoje, finalmente, pude fazer a minha caça as notícias sobre Davos, sobre o Forum de PA e sobre a repercussão de Lula.

Está confirmado:

Os USA vão acabar com o mundo.

Mesmo

Não falam nada de Davos ou de PA. Nada. Só que o Collin Powell foi lá e reafirmou a posição americana. Engraçado ver que em qualquer mídia não americana, eles falam que ele não foi aplaudido e foi recebido com frieza. Nos americanos, é dito que foi aplaudido e que os USA mostrou convincentemente o seu plano.

A França ama o Lula. Sério. Encontrei inumeras matérias sobre o Lula. Duas são : Fórum de Porto Alegre começa denunciando uma possível guerra no Iraque e Será que a esquerda francesa consegue tirar lições do modelo brasileiro? .

No El Pais, somente sobre Cristovan Buarque. Sim, nosso ministro já levanta asas na matéria : Cristovam Buarque, ministro da Educação do Brasil: “Recompensaremos os analfabetos que aprenderem a escrever” .

Falando em ministro pop, um detalhe que não comentei. No dia da posse, a França transmitiu, antes de uma edição resumida da posse de Lula, um especial sobre o Gil. Sim, e quase todo o material exibido da posse era de Gil. Ele é venerado lá, parece. Curioso, no mínimo.

UPDATE:

Acho necessário postar uma nota que saiu no Guardian:

Os passivos

27.Jan.2003 | “Por que há este silêncio? O maior poder da história está prestes a lançar uma guerra contra um país árabe soberano ? hoje comandado por um regime horrível ? cujo propósito claro é não apenas derrubar o regime Ba’ath mas também redesenhar toda a região. O Pentágono não faz segredo de que seu plano é redesenhar o mapa do mundo árabe, talvez mudando outros regimes e fronteiras no caminho. Ninguém poderá ser protegido deste cataclisma se e quando vier. Ainda assim, há apenas um longo silêncio seguido de uma negativa vaga, educada e murmurada como resposta. Milhões de pessoas serão afetadas e, no entanto, a América planeja seus futuros sem sequer consultá-las. Será que merecemos esta atitude racista?

“Isto não é apenas inaceitável: é impossível de ser crido. Como uma região de 300 milhões de árabes pode esperar passivelmente as explosões virem sem tentar um grito coletivo de resistência? Será que a união árabe se dissolveu por completo? Mesmo um prisioneiro prestes a ser executado tem direito a suas últimas palavras. Por que não há um último testemunho para uma era da história, para uma civilização prestes a ser esmagada e transformada por completo, para uma sociedade que, apesar de suas falhas e fraquezas, no entanto ainda continua viva?”

Edward Said, no Guardian de sábado.

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