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Arquivo de dezembro, 2004

29, dezembro, 2004 Paulo Marinho Sem comentários

Tsunami

Ao som de Tom Waits – Mule Variation

Quase um segundo

A Terra aumentou sua rotação. A Terra aumentou sua rotação. Vou repetir mais uma vez, para quem não pegou a idéia: A Terra aumentou sua rotação. Você tem idéia do que é isso? Você tem idéia do que é isso? Você tem idéia do que é isso? Cientistas publicaram na Scientific American que talvez o mundo perca três segundos. Três segundos. Três segundos do seu dia. 1095 segundos por ano. 0,7666 dias. 0,7666 dias. 0,7666 dias vão sumir por um maremoto, um Tsunami (adoro a palavra, por acaso o nome de uma ótima empresa de quadrinhos). Lembro-me de um capítulo de Pete and Pete onde o irmão mais jovem tenta, no horário de verão, voltar no tempo. Pelo menos, isso é algo humano, não como ocorrido. O nosso mundo, realmente, agora corre três segundos mais rápido. Três segundos mais rápido. Três segundos, o tempo de você ler as repetições colocadas até agora neste texto, talvez.

Será que estes três segundos serão retroativos? Será que envelhecerei alguns dias a mais? Será que minha idade e meu aniversário poderão mudar? Sei que em alguns décadas vão dizer que a taxa de mortalidade aumentará por isso, mas e a minha? Será que viverei mais? Sim, viverei mais 0,7 dias por ano. Um dia e meio por ano.

Lembrando de Pete and Pete, grande seriado da Nickolodeon, subestimado, quero retirar este tempo da minha vida. Quero os três segundos dos meus dias já passados. Quero retirar todos os três segundos que quiser de cada dia. Quero alterar aquele momento onde disse não a minha primeira namorada, a ela tirar minha roupa e eu dizer não a minha suposta perda de virgindade. Quero tirar aqueles três segundos daquele dia em que tinha que dar um discurso no funeral de meu avô e gaguejei e fugi. Quero tirar os três segundos do dia em que minha banda perguntou se a banda tinha realmente tinha acabado e eu disse sim. Quero tirar aqueles três segundos quando aquela garota me olhou nos olhos e eu demorei a falar eu te amo. Quero tirar aqueles três segundos onde eu disse que eu não a amava mais.

Se eu tirar os três segundos que meu ex – melhor amigo me olhou e foi embora, talvez minha psicóloga me dê alta antes. Quero tirar aqueles três segundos que vi minha filha gata sofrendo com uma injeção de anestesia e olhando pra mim perguntando o que eu fiz pra ela. Aqueles três segundos que minha mulher perguntou se eu realmente queria acabar com tudo e eu demorei três segundos para responder. Talvez tenha demorado mais, mas acho que quanto menos tempo, menos tempo de brigas. Quero tirar três segundos de cada crise renal que eu tive. Quero tirar os três segundos em que eu falei a um amigo que sua mulher, do casamento de 10 anos realmente o estava chifrando.

Quero tirar aqueles três segundos após eu falar para meus pais que eu ia sair de casa. Melhor, gasto mais segundos neste dia, até eles pararem de me olhar com aquela cara.

Posso? Posso? Por favor, posso?

Creio eu não. Creio que estes três segundos só virão a partir de agora. Vai mudar meu envelhecimento, o crescimento de meu cabelo. Será que os três segundos que sumirão serão os que eu concebo meu filho? Será que os três segundos que sumirão são aqueles que eu vejo meu primeiro filho, naquela cena que sei que não esquecerei? Será que estes três segundos serão aqueles que eu descubro o sentido de minha vida?

Por favor, Tempo, sei lá como te chamar, não tire os três segundos que eu vi meu apartamento pela primeira vez. Aquele em que falei eu te amo (seja pra quem for). Nem tire aqueles três segundos de hoje de manhã, que olhei para minha filha gata e vi como minha vida está perfeita, indo bem, e que era um novo homem.

E por favor, apague os três segundos de cada um dos três milhões (chutando o valor) de cada uma das pessoas que souberam que os pais, os filhos, e as mães, morreram no Tsunami. Não me faça, a cada abertura de revista com o nome Tsunami, pensar em algo mal. Pode até deixar os momentos que pedi pra apagar (você não ia deletar mesmo, né?), mas alivia este pessoal. Por favor. Por favor. Por favor.

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26, dezembro, 2004 Paulo Marinho Sem comentários

E agora volto de vez. Sim. Para as poucas almas que me sobraram.

Como foram de Natal? Já tenho livros pra ler até a última encarnação: o novo do Takeda, o do Dapieve, 2 novos do Stephen King, sem contar 4 livros de arte (Frida para a Let, Dali, Ginger Arh , o pai do visual cyberpunk, e Pop Art).

Estou parando de fumar. Não há mais motivos. Sim, é sério. Sem faculdade, sem tanta pressão, porque? Agora, cigarros só na cervejinha do fim de semana. Espero que desta vez consiga mesmo, esta tranquilo até agora.

Hoje, no Extra, encontrei o último do Strokes e o Mothers Milk do Chili Peppers por 9,90, junto com o cd funk do Tchan! Surreal.

O fim de ano foi ótimo. Otimas festas e cervejadas, duas festas familiares aqui em casa, com direito a sessão de A Viagem de Chihiro.

Para quem não recebeu meu e-mail, aí esta uma das minhas “filhas” dando feliz Natal :)

E digam-me, como vão vocês?

Ao som de : She dont use jelly, de The Flaming Lips

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20, dezembro, 2004 Paulo Marinho Sem comentários

Isso sim é um parto: Não ia ser aprovado no projheto final. Quinta feira me avisam que vou poder defender, na terça seguinte! Vou entregar o projeto e descubro que um membro da banca não poderá participar. Falo com meu orientador que consegue mudar a data da defesa.

Defendo numa boa e vou atras da capa dura. Precisava entrega-la até sexta feira. Consigo quarta feira o modelo de capa e a faço em cima da hora. Sexta de manhã, o cara da grpafica me entrega como combinado, mas vejo um erro! Aí, ele corrige até as três e corro pra UERJ, que fecharia as 4 e meia. Chego lá e sei que acaba de ocorrer um assalto e todos os departamentos foram fechados e estavam evacuando meu andar. Falo com o coordenador de projetos e ok. Hoje, vou entregar, e descubro que, além de ter queimado o cd com uma versão errada, ainda tinha outro erro na capa. Agora espero aqui um email para saber se realmente me formei.

Sério, não é pra eu estar infartando?

Filme do Ano: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, com menção honrosa a Anti Herói Americano (American Splendor)

Música do Ano: This is ItRyan Adams

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15, dezembro, 2004 Paulo Marinho Sem comentários

Sim. Acabo minha tortura de 9 anos de faculdade sexta feira.

Preciso dizer mais?

VOlta, de vez, já já.

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