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Arquivo de outubro, 2009

Rio 2016

4, outubro, 2009 Paulo Marinho 1 comentário

Carioca exilado em Sampa a três anos. No começo, só amores a cidade da garoa. Mas com o tempo, começou a me bater saudades da minha cidade maravilhosa. A bicicleta na orla, ver os ex craques como Edmundo e Romário jogando futevôlei, ver a baia de Guanabara, e sentir o jeito aberto dos cariocas de se comunicarem e de interagirem. Aqui é tudo meio… frio.

E, do nada, me aparece com grandes chances essa tal candidatura do Rio as Olimpiadas, logo antes de ir para a terra de um competidor. Nada demais, ganhamos a copa, esta tudo bem. Mas… Parecia que o Rio tinha grandes chances. Inclusive Chicago apoiava o Rio, caso perdesse. Voltei de uma feijoada paulistana, sem cerveja acompanhando, do almoço de Sexta, meio nervoso com o fato. E soube que Chicago foi eliminada. E comecei a ver meus conteporaneos cariocas mandando mensagens. Vendo quase o Brasil todo apoiando, nervosos de ansiedade dessa decisão. Eu, como um ex-carioca, meio que achando que o Rio não teria como abrigar a Copa decentemente, pensei que para as Olimpíadas, depois de ver um grande Pan-americano lá… Isso sim poderia dar ao Rio o gás que precisava. Esperança mode on.
E aí veio a noticia que só sobrou Madrid e Rio. Madrid e Rio! Duas cidades lindas, mas no fund, sabia que o Rio tinha mais chance. Nunca teve na America do Sul, o Lula “é o cara”, etc. Parei de trabalhar. Alguns membros da equipe perguntando sobre tarefas, se podiam subir algo para o site. Eu nem respondia. Falava pra esperarem até acabar a decisão das Olimpiadas. Se com o Pan já deu pra melhorar algumas coisas, com a Copa e com as Olimpiadas… começou a bater forte o veneno (ou a cura?) da esperança.

E comecei a narrar minuto a minuto pros meus colegas de trabalho a evolução. Não que eles quisessem saber, a maior parte quer que o Rio se foda. Literalmente. Longa conversa, longa história. E eu ali, no tempo real, sem vídeo, porque a banda toda hora travava o vídeo. Se é pra sofrer, que seja por texto que chegue de verdade, como telegrama.
Os vídeos começaram a serem exibidos. O rio veio antes de Madrid, na ordem de desclassificação, aparentemente, me pareceu. Fudeu perdemos. Perdemos. Como o Rio vai sair dessa? Depois daquele vídeo lindo, do ultimo ano com o “O cara” no poder? Mas pra sair no site do Flu, um time tão junto da elite do Rio, que já noticiara que era fato… Tinha que ser. Só podia ser. Na minha cabeça, que tanto renegara minha origem carioca e Fluminense… Meu deus, até meu flu caindo na zona de rebaixamento, toda minha carioquisse indo pelo ralo… Era agora ou nunca.
E deu Rio. Soltei um pequeno urro no trabalho. Um “Yawp”, como diria uma grande amiga. O Rio ganhou. O RIO ganhou. O RIO GANHOU! Será que agora fecham a linha do metro ate a barra: O trem bala? Melhoram a Mangueira? E a linha vermelha e amarela…

Muita coisa na cabeça quanto a vitória. Muita esperança e expectativa. E vi meu presidente chorando, feito o que segurava, inconscientemente, quanto ao maior feito dele no governo. E um comparsa exilado de suas terras litorâneas de Recife também falando (e comemorando) sobre a grande vitoria que tivemos. Afinal, são quatro eventos, que quase ninguém discrimina: a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, as Olimpíadas e as Paraolimpíadas. Tudo em uma década. Quer o que mais pra focar o mundo no Brasil, ou melhor, nesta linda cidade que foi por um tempo a capital de Portugal, e de certa forma, atenção do mundo (na época napoleônica, com a fuga do rei), que isso? So falta o G7 se reunir aqui e mudar a ONU pra cá, ora bolas.

E começaram as piadas. Alfinetadas. Babaquices. Quase todos os paulistas ao meu redor criticando, malhando, alfinetando, piadas pobres do nível a Praça é Nossa. “E aí, vai ter revezamento de arrastão, tiro ao alvo humano?”. E a cada critica uma renovação de amor. A cada idiotice, lembrava de uma manhã, uma tarde, uma noite na praia. Um dia no Maracanã. É menor que outros, não têm Infra? È o Maracanã, quem já entrou lá sabe o que ele passa. Como diriam os europeus, a História faz sua presença.

E também me lembrei da irmã de uma amiga, que sempre quis jogar as Olimpiadas no Brasil. Pequenina, linda, ginasta. Hoje, creio que deve ter 21 anos. Sua irmã fugiu pros Estados Unidos por medo da recessão carioca, da violência, de tudo. Ela me mandou um twitter sobre como estão as vagas no Rio. Falei que melhoram em breve. Não só em sua área, civil, que deverão melhorar horrores nos próximos anos. Mas em qualquer área. A primeira década nominável do novo século é a de 10. X. Estranho pensar nos anos 10. Sempre só pensei de anos 20 em diante. Mas os anos 10, ou o alvorecer do século XXI, já têm dono. Em 2013. Confederações. Em 2014, Copa. Em 2016, Olimpíadas. E sei lá o que pode ocorrer nesse meio tempo.

É a chance do Rio. Investimentos não faltarão. Atenção do governo, do mundo! , não faltarão. Diria Betty Pimentinha ao Charlie Brown, bem a cara do Rio, “Essa é sua chance, Charlie Brown. Nós te adoramos.”. E nós, quase o Brasil inteiro, te adora, meu Charlie Brown. Só não vá sair do rumo. Pois essa é sua grande chance.

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