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	<title>What took you so long? &#187; chinewski</title>
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		<title>Shenala Gee</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Nov 2002 20:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[::CHInewsKI Online &#8211; Edição nº  31 &#8211; Rio de Janeiro, 6 de Novembro de
2001::
Shenala Gee
Olhava-se no espelho. Não, não podia estar enlouquecendo. Sabia que
ficar de
férias podia fazer isso, a solidão levar embora também seus últimos
neurônios. Olhou-se e analisou-se. Cabelos curtos, óculos, não tinha
barba.
Este era ele. Foi-se deitar. Rolou de um lado para o outro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>::CHInewsKI Online &#8211; Edição nº  31 &#8211; Rio de Janeiro, 6 de Novembro de<br />
2001::</p>
<p>Shenala Gee</p>
<p>Olhava-se no espelho. Não, não podia estar enlouquecendo. Sabia que<br />
ficar de<br />
férias podia fazer isso, a solidão levar embora também seus últimos<br />
neurônios. Olhou-se e analisou-se. Cabelos curtos, óculos, não tinha<br />
barba.<br />
Este era ele. Foi-se deitar. Rolou de um lado para o outro da cama,<br />
com medo<br />
do sono.<br />
Acordou. Correu para o espelho. Cabelos longos, uma barba protuberante<br />
e não<br />
encontrou nenhum óculos. Até estava devidamente malhado. Sua mulher<br />
veio da<br />
cozinha com um copo de café na mão.<br />
-De novo aquele sonho, não?<br />
Olhou pela camisola o corpo dela. Lembrava de a ter conhecido no ginásio,<br />
mas ela tinha dado o fora nele. Não tinha? Tinha deixado o cabelo crescer?<br />
Também não lembrava. &#8220;Era um sonho.&#8221;, repetia para si mesmo. Mas era tão<br />
real&#8230;.<br />
Agarrou-a e foi para a cama. Transaram loucamente até a hora do filho<br />
acordar. Patrícia não reclamava destes pesadelos de Sérgio, estava até<br />
gostando. Cada vez que ele acordava, era uma maratona sexual de fazer<br />
inveja<br />
aos outros anos de casamento. Toda vez que acordava assim, começava uma<br />
série de perguntas como &#8220;Você tem certeza que namoramos desde o<br />
ginásio?&#8221; e<br />
&#8220;Como assim, eu sou músico?&#8221;. Ela mal respondia, entre as baforadas de<br />
cigarro. Tentava a acompanhar, mas tossia ininterruptamente. Ela lembrava<br />
que o tratamento tinha feito bem para ele, que ia começar em breve, mas<br />
nunca começava.<br />
Hora de trabalhar. Sérgio pegou o pequeno Alex e levou-o para o colégio. O<br />
mesmo que ambos estudaram. Continuava a caminhada com a moto como que<br />
guiado<br />
por um santo. Chegava no estúdio e via rostos que só conhecia de ouvir<br />
falar, pensava. Sentava e tratava de mexer nas gravações de bandas novas<br />
como se fizesse a vida toda isso. Realmente fazia umas gravações amadoras,<br />
mas nunca tinha mexido em uma mesa tão grande. E fazia isso com tanta<br />
naturalidade que se espantava.<br />
Após umas horas de gravação , foi pegar Alex na hora do almoço.<br />
Levou-o para<br />
um ótimo restaurante no Leblon. Aproveitava de sempre acordar e ver sua<br />
carteira cheia de dinheiro. Conversava naturalmente com seu filho, assim<br />
como fazia com seu sobrinho no que ele achava que era a realidade. Pensava<br />
enquanto ele comia que era impossível ter sonhos tão detalhados assim. Não<br />
podia ser um sonho. Mas um deles tinha que ser.<br />
Voltou para casa, já que não havia nenhuma gravação à tarde, e olhou<br />
para a<br />
cama. Parecia desafia-la. &#8220;Vou dormir e acordar como eu mesmo&#8221;, pensou. E<br />
fez. Acordou na sua cama, com cheiro de cigarro, entre livros e revistas.<br />
Acendeu correndo um cigarro e sorriu ao sentir o doce gosto da nicotina.<br />
Ligou a tevê e ficou vendo seriados antigos. Tentava se concentrar,<br />
desligar<br />
a cabeça de seu problema, mas não conseguia. O principal problema de<br />
não ter<br />
o que fazer é que você sempre se foca nos problemas que não pode resolver.<br />
Tentou ligar para alguns antigos amigos, mas todos estavam no trabalho.<br />
Pegou uma garrafa de vinho e foi bebendo para esquecer de seus problemas e<br />
relaxar. Ficou vendo a Gata e o Rato e lembrando de sua infância. Como era<br />
bom não ter problemas. Só se importar com colégio e televisão. Como<br />
invejava<br />
os mais novos&#8230;<br />
-Pai. PAI! – berrava Alex, balançando Sérgio ao seu lado, no sofá da sala.<br />
Sérgio acordou com gosto de Fanta Uva na boca e sentindo a barba<br />
grudenta do<br />
refrigerante.<br />
-O jogo do Flamengo vai começar daqui a pouco! Você não quer ver comigo?<br />
Sorriu para o garoto, que estava assustado com o rosto em pânico do pai.<br />
Falou que ia tomar um banho antes. Ligou para a mulher. Deixou mensagem no<br />
celular. Retornou em uns dez minutos, enquanto aparava a barba. Ele falou<br />
que estava enlouquecendo. Já fazia duas semanas que acordava assim,<br />
sentindo<br />
que tinha outra vida. Ela respondeu que sempre ele fora sonhador. Que<br />
tinha<br />
que aprender a relaxar na vida. E que ela havia comprado uma lingerie nova<br />
para acalma-lo.<br />
Alguém chegara na emergência, ela exclamou, desligando. Olhou fixamente o<br />
espelho, escutando na sala o início do jogo. Molhou o rosto, apertando bem<br />
as pestanas com o olho fechado. &#8220;Isso é uma alucinação. Isso é<br />
loucura.&#8221;. E<br />
sentiu o cheiro de cigarro ao seu lado. &#8220;Filho?&#8221;, falou, abrindo os<br />
olhos. E<br />
viu que estava com um cigarro aceso na pia, sua pia normal. Ou não era sua<br />
pia normal? Passou a mão na cara e não sentiu a barba.<br />
Correu pela casa. Lembrou de filmes e livros assim. Metamorfose de Kafka.<br />
Pensou em O Show de Truman. Em a Estrada Perdida de David Lynch. Não, não<br />
havia nada nem ninguém na casa. Só ele, a televisão, uma garrafa de vinho<br />
semi vazia e a solidão. Será que estava sonhando com o que queria ter<br />
sido?<br />
Aí tudo faria sentido. Sim, faria sentido. Devia ser isso. Sua solidão<br />
tentando preencher os vazios de sua vida.<br />
Pegou a garrafa e foi para o quarto. Viu o álbum de formatura do colégio.<br />
Não fazia tanto tempo assim, ele achava, mas neste tempo já havia se<br />
formado. Tentara manter um certo contato com as pessoas, mas sumia. Sabia<br />
que tinha problemas de isolamento, depressão, etc. Mesmo assim, se<br />
formou um<br />
bom engenheiro civil. Até participara de seu antigo sonho de ter um<br />
estúdio<br />
de música, de certa forma, estudando a acústica e montando a planta ideal.<br />
Viu as fotos. Patrícia estava lá, mas sua timidez não o deixou ser feliz.<br />
Depois do fora que levara, nunca mais se aproximara. Nem sabia como ela<br />
estava, mas não a esquecia. Lembrava que todas suas namoradas tinham<br />
um quê<br />
da Patrícia. Fosse o cabelo liso e escuro, fosse o jeito elétrico dela,<br />
fosse a banda preferida até.<br />
-Pai, você ainda não acabou? – berrou Alex da sala.- A gente ta quase<br />
marcando um gol. Vem ver.<br />
Tirou seu foco do álbum e viu que estava na cama de casal de&#8230;.dele<br />
mesmo.<br />
Ou não? Sentia-se louco. Insano.<br />
-Pai, você ta legal?- chamava o garoto da sala.<br />
Ele correu para a sala, mas ao atravessar a porta do quarto, estava em sua<br />
casa solitária. Será que já estava morto.<br />
Morto&#8230; Hmm&#8230;Não tinha porque viver. Pra que viver assim? Sua solidão<br />
chegara no ponto que enlouquecera. Era isso. Não havia por que viver,<br />
então.<br />
Alex, não era verdadeiro&#8230;nunca teria um filho&#8230;nunca teria uma<br />
mulher&#8230;Patrícia&#8230;<br />
Correu para o banheiro novamente. Olhou-se no espelho. Sua barba<br />
estava por<br />
fazer já há algum tempo. Lembrou da solidão. Lembrou que estava louco.<br />
Decidiu se matar.<br />
Deu uma porrada com a testa no espelho da pia. Olhou-se e viu, etre os<br />
fragmentos, seus longos cabelos Sangrando. &#8220;PaiÊ!!!!&#8221;, berrava Alex,<br />
da sua<br />
sala&#8230;.da sua sala normal. Deu mais um golpe no espelho, sentindo um caco<br />
de vidro entrar em sua pele. E se desligou de tudo.<br />
-Pai&#8230;você ta com sono?- disse a voz de Alex, puxando sua calça.<br />
Ele desencostou a cabeça do espelho e viu que so estava com a marca escura<br />
que sua pele branca deixava. E realmente se desligou. Foi ver a<br />
goleada que<br />
o time dele e seu filho deu no Boca Júniors. Foram para a rua ver a<br />
comemoração do título da Mercosul. Seu filho estava com um sorriso tão<br />
grande que tinha se conter de chorar. Para ele, aquele era o primeiro<br />
sorriso que vira dele.<br />
Voltaram e esperaram Patrícia. Alex fora dormir na casa de um amigo para<br />
comemorarem o título jogando botão. Coisas de criança. A mulher tirou sua<br />
roupa branca e mostrou que já estava com a lingerie por debaixo.<br />
Sérgio fora<br />
correndo para seus braços e fizeram amor por todos os cômodos da casa.<br />
Por fim, ficaram na banheira da suíte somente abraçados. Sérgio estava<br />
realmente sentindo seu coração livre para viver. Aquilo não era um sonho.<br />
Era sua vida. E não ia deixar nenhum sonho atrapalhar isso. Ela pedira que<br />
mesmo que deixasse destas loucuras, que não perdessem o fogo que estavam<br />
vivendo nestes dias.<br />
Foram para a cama e após algumas horas de beijos e conversas, dormiram.<br />
Sérgio dormiu tranqüilamente e não sonhou durante alguns dias. Estava<br />
começando a se adequar a vida de músico e produtor musical.<br />
Quatro dias depois, ao dormir, sentiu que não tinha mais os cabelos<br />
compridos, nem a barba. Seus olhos abriam e ele sentia-se como o velho<br />
Sérgio, num lugar com cheiro de hospital.<br />
Acordou com uma sensação estranha na cabeça. Uma enfermeira viera correndo<br />
segurar sua mão. Falou que um vizinho escutara o barulho dele berrando e<br />
quebrando o espelho e chamara socorro. Falou para ficar quieto que tinham<br />
feito uma operação em sua cabeça, ela ia chamara a médica.<br />
Com a visão turva, viu a doutora chegando perto.<br />
-Ora, ora. Sérgio, eu sabia que você tinha algum problema, mas nunca<br />
imaginei que fosse tanto. Acabamos de tirar um tumor que você tinha. Muita<br />
sorte você ter tido este acidente, se é que foi um acidente.<br />
-Patrícia?- ele perguntava, limpando os olhos.<br />
-Então você lembra de mim, né? Que bom, também não me esqueci de você.<br />
Principalmente agora que te operei. Você devia ter um plano de saúde para<br />
evitar que recém formados participassem de sua operação.- disse sorrindo e<br />
chegando perto de seu rosto.<br />
-Você&#8230;lembra de mim?-ele perguntou, ainda grogue.<br />
-Claro que lembro. Você esqueceu do que tínhamos no colégio. Você nem<br />
percebia o quanto eu era&#8230;apaixonada por você, né? Devia ser este<br />
tumor que<br />
você tinha que atrapalhava , hehe.<br />
-Você&#8230;está aqui mesmo?<br />
-Claro, só vi sua operação, mas me deixaram responsável por você agora.<br />
Falei que era &#8230;.meio pessoal o caso. Ah, e te aconselho a deixar o<br />
cabelo<br />
crescer por um tempo. Não sei se estas cicatrizes vão sair cedo. O coro<br />
cabeludo vai se regenerar, mas até lá acho que ia ficar mais bonito com o<br />
cabelo cobrindo, sabe? Que nem você era, com aquele cabelão.<br />
Ficaram batendo um bom papo ainda naquela manhã. E continuaram depois. E<br />
depois. E depois.</p>
<p>::Caim::</p>
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		<title>Canção pra você viver mais</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Nov 2002 20:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[::CHInewsKI Online &#8211; Edição nº  31 &#8211; Rio de Janeiro, 6 de Novembro de
2001::
Canção pra você viver mais
Ta perto, né? Faltam só&#8230;duas semanas. E é foda não dar nem para
conversar
sobre isso. Você não deixa. Qualquer coisa que falo, já vem com
milhares de
teorias loucas. E fica o dia todo me enchendo o saco sobre isso. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>::CHInewsKI Online &#8211; Edição nº  31 &#8211; Rio de Janeiro, 6 de Novembro de<br />
2001::</p>
<p>Canção pra você viver mais</p>
<p>Ta perto, né? Faltam só&#8230;duas semanas. E é foda não dar nem para<br />
conversar<br />
sobre isso. Você não deixa. Qualquer coisa que falo, já vem com<br />
milhares de<br />
teorias loucas. E fica o dia todo me enchendo o saco sobre isso. Isso<br />
que dá<br />
não ter vida.<br />
É tão estranho imaginar saber a data da morte. Saber que em certo dia<br />
você<br />
tem cinqüenta por cento de chances de morrer. E não poder fazer nada. Se<br />
soubéssemos desde novos isso, seria ótimo. Planejaríamos nossa vida de<br />
outra<br />
maneira. Saberíamos o tempo que temos para fazer tudo. Acho que daria até<br />
uma responsabilidade maior para as pessoas. &#8220;Olha, dia 14 de Demebro<br />
de 2051<br />
você vai morrer. Você ainda tem cinqüenta anos pela frente, então<br />
planeje-os<br />
bem. E lembre-se que você pode morrer antes, mas que deste não passa.&#8221;.<br />
Talvez isso desse mais sentido a vida.<br />
Foi bom ter este período de férias em casa. Apesar de ter mais vontade de<br />
me esconder de você do que ir bater papo (para não ficar analisando minha<br />
vida pela ótica de Freud e Marx), estou lembrando mais de minha infância e<br />
adolescência. De como não sabia o que fazer com um filho indesejado, filho<br />
de camisinha e pílula. De como tinha que viajar por meses e me trazia<br />
brinquedos idiotas que não brincava. Você nunca entendeu crianças,<br />
vejo isso<br />
agora com seus netos. Não sabe lidar com eles, ou os trata como bebês ou<br />
como conhecedores profundos da vida humana. Porra, eles tem oito e dois<br />
anos!<br />
Estou escutando uma das bandas que você odeia, Pato Fu. Escutando &#8220;Canção<br />
pra você viver mais&#8221;. Acho que você não quer, né? Pelo que a mãe fala,<br />
desde<br />
1970 já pensa em morrer. Isso que deu ser exilado, sempre com medo da<br />
morte<br />
ser hoje. E agora quando ela chega, o medo parece bem menor, né? Quando já<br />
se fez tudo. Já se viveu tudo.<br />
Depois de ser milionário, depois de morar na &#8220;favela&#8221; do Engenho<br />
Novo, não<br />
sobra muito o que conhecer. O que fazer. Desde o derrame, nem pensar<br />
direito<br />
pensa mais. Até tenta, mas eu vejo como nem lembra onde mora às vezes. É<br />
duro ver isso. Mas mais duro querer que sofra mais. Se ver no espelho e<br />
chorar. Não quero isso. Quero que vá quando achar a hora. Não, não<br />
quero que<br />
ache que sou a favor da eutanásia. Muito menos sopu espírita. Mas sei que<br />
sabe quando realmente é a sua hora. Já discutimos mais de um mês, somando,<br />
sobre Maktub, que está tudo escrito. Concordo, mas temos que viver para<br />
viver o escrito, não sentar no sofá e ficar esperando algo acontecer.<br />
Chuvas<br />
de sapos só acontecem em filmes.<br />
É possível que passe deste dia. Tem cinqüenta por cento de chances. É<br />
como<br />
aquela famosa pergunta filosófica : &#8220;um copo está a metade cheio ou metade<br />
vazio?&#8221;. Você só está vendo o vazio, eu estou vendo ambos.<br />
Foda imaginar que pode não ver seu &#8220;meu&#8221; neto. Nem meu futuro, que tanto<br />
lutou para ter. Se bem que ele também foi prejudicado por você mesmo. Sei<br />
que se me lembrar de conversas, o que sobressairão são as discussões e<br />
discórdias, além de imposições bem &#8220;a la&#8221; Stalin. Mas é no silêncio<br />
que vejo<br />
a verdadeira face da gente. Tenho até hoje a carta que me escreveu quando<br />
tive minha primeira namorada, querendo me proteger. Lembro de quando me<br />
entregou uma puta, querendo que eu comesse e começasse esta fase sexual da<br />
vida. Lembro de me explicar livros de filosofia, de psicologia, e filmes<br />
complexos.<br />
Mas esta não é uma canção para você viver mais. Nem menos. Só para<br />
viver o<br />
que quiser. Espero que tudo se saia bem, mas se não sair, que saia mal de<br />
vez. Como você mesmo fala, viver em cima do muro é não viver. Pode deixar,<br />
vou me formar. Vou fazer a vida. Vou me lembrar das merdas que fez na vida<br />
para não repeti-las. Vou tentar contar pros netos como você realmente era,<br />
não o velho que fala idolatrando o Bin Laden para um garoto de oito anos.<br />
Mas aquele que escondeu a mulher e o filho quando o AI-5 baixou nesse solo<br />
podre que vivemos. Vou tentar passar toda a visão do mundo filha da<br />
puta que<br />
me passou. Mas vou lembrar que tem pessoas que ajudam. Vou mostrar<br />
Gonzaguinha pra eles, sabendo que não vão gostar como não gostava, mas que<br />
as letras vão tocar em algum lugar inconsciente lá dentro.<br />
E pode ser que esteja falando besteira e que tudo acabe bem, mas<br />
temos que<br />
aproveitar o que sentimos, não é o que me ensinou? Tá triste ,pegue um<br />
violão. Tá feliz, escreva uma carta de amor. Está com saudades, ligue. Mas<br />
não fique apática a sua própria vida, como você anda. Encare a vida. E<br />
tente<br />
faze-la como quer. Vou me lembrar do que falava enquanto não estava<br />
reclamando de tudo e todos (ou seja, do 1% que sobrou). Porque este um por<br />
cento valem ouro que só a vida traz, E você trouxe.<br />
Esta não é uma canção para você viver mais. É uma canção somente para<br />
viver. E boa sorte. Vou estar lá segurando sua mão como segurou a minha<br />
quando estive em coma. Vou estar esperando, como me esperou. Esperando<br />
você<br />
viver, ou não. Mas esperando o seu bem.</p>
<p>:: tommy molto::</p>
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		<title>Na Travessa do Poeta</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Aug 2002 20:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 46 &#8211; Rio de Janeiro, 22 de Agosto de
2002::
Na Travessa do Poeta
Foi na travessa dos poetas que senti a inspiração. Era raiva. Era
mágoa. Tinha que escrever. Havia tentado escrever na mesma noite
anterior a poesia, mas ela não queria sair por teclado. Ela me disse
que não gostava de coisas eletrônicas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 46 &#8211; Rio de Janeiro, 22 de Agosto de<br />
2002::</p>
<p>Na Travessa do Poeta</p>
<p>Foi na travessa dos poetas que senti a inspiração. Era raiva. Era<br />
mágoa. Tinha que escrever. Havia tentado escrever na mesma noite<br />
anterior a poesia, mas ela não queria sair por teclado. Ela me disse<br />
que não gostava de coisas eletrônicas, eram frias demais. Tentei<br />
então falar, cantar a poesia. Mas ela não saia. Vinha e me dizia,<br />
não, agora não, não é hora.<br />
Mas na travessa ela chega pra mim e diz que não quer falar. Pareceu-<br />
me que não precisava dela, ela estava me sacaneando, eu podia criar a<br />
poesia, pura e bela. E dei as costas. Treze passos largos e dois<br />
curtos depois, vi que perdera o fio da meada. Voltei-me e não a vi<br />
mais lá.<br />
Procurei em todos os lugares onde ela já me aparecera: nos mesmos<br />
restaurantes, nas mesmas ruas, nas lojas de livro e música que me<br />
sorria com um soneto de ponta a ponta, até no mosteiro de são Bento,<br />
onde tantas vezes as pessoas que passavam via a poesia fluindo pelo<br />
ar e sentiam-se mais felizes por estarem vivos e resolviam caçar suas<br />
poesias.<br />
Mas não a encontrei. Procurei aquela poesia, mas não a encontrei.<br />
Fazem-se somente minutos que não a sinto por perto e já parecem dias.<br />
Pensar que existem pessoas que vivem sem suas liras de vinte anos&#8230;.<br />
Sento-me então em meu trabalho, digitado palavras que para olhos<br />
vesgos parecem ser documentações, mas são escritos. Apenas escritos.<br />
Sinto a poesia por perto, mas ela vem tão distorcida&#8230; Parece querer<br />
que me explique para ela por ter tido o desejo de tê-la de novo. De<br />
ser. Ela me susurra nos ouvidos que devia ser assim, que é assim que<br />
as coisas são. E me revolto, e me bato, e me canso, e me espanto. Que<br />
apesar de tudo, as letras acabam fluindo. Por uma dor constante,<br />
vinda do ventrículo direito , ou do átrio, não tenho certeza, mas<br />
dali do coração. Um infarte por uma poesia. Mas dizem que sexo também<br />
tira sete minutos de sua vida por vez. Então, pego-me no dilema de<br />
sofrer e viver ou morrer.<br />
A poesia vem e me lembra de Thoreau, que tentou espantar os males da<br />
vida e descobriu que não viveu.<br />
Talvez encontre uma outra travessa. Que possa me reencontrar com a<br />
minha velha poesia. Ou com alguma poesia. Mas que não me faça me<br />
perder numa esquina escura. Porque lá vivem os contos de terror, e<br />
isso o Rio de Janeiro já tem demais. Quero um pouco do Rio Antigo.<br />
Mesmo que seguido do soco de um hooligan londrino.</p>
<p>::Tommy Molto::</p>
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		<title>Atira</title>
		<link>http://www.scrumlive.net/wordpress/2002/08/22/45/</link>
		<comments>http://www.scrumlive.net/wordpress/2002/08/22/45/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Aug 2002 20:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
				<category><![CDATA[chinewski]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.scrumlive.net/wordpress/?p=45</guid>
		<description><![CDATA[:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 46 &#8211; Rio de Janeiro, 22 de Agosto de
2002::
Atira
Acordou com o som da têmpora da velha ao seu lado explodindo.
Caralho, onde estava?, pensava. Ônibus. Serra. Serra Grajaú
Jacarepa&#8230; Mais um tiro. Desta vez acertaram um garoto sentado no
colo da mãe na cadeira de deficiente. Seu boné do Flamengo voou até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 46 &#8211; Rio de Janeiro, 22 de Agosto de<br />
2002::</p>
<p>Atira</p>
<p>Acordou com o som da têmpora da velha ao seu lado explodindo.<br />
Caralho, onde estava?, pensava. Ônibus. Serra. Serra Grajaú<br />
Jacarepa&#8230; Mais um tiro. Desta vez acertaram um garoto sentado no<br />
colo da mãe na cadeira de deficiente. Seu boné do Flamengo voou até o<br />
motorista, que não olhava para nenhum dos lados. Por que ali, por que<br />
ali?, repetia-se, se abaixando entre berros de desespero e oração.<br />
Limpara os pedaços de &#8230;. não sabia o que era, mas limpava aquilo<br />
com seu lenço encatarrado. Devia estar em pânico, sabia, mas não<br />
conseguia.<br />
O ônibus parara de repente, freada brusca. Tinha enchido a cara,<br />
devia estar alucinado. Porque não voltou de táxi, porque não voltou<br />
de táxi? Xingou alguém? Fez algo com alguém? Não lembrava&#8230; mas<br />
lembrava de algo. Vomito&#8230;. mas onde?<br />
Um sujeito com uma camiseta do programa “No Limite” e uma<br />
bermuda do<br />
Bad Boy, com o desenho de uma mão em cima da genital, entrara. Sim,<br />
uma boa metralhadora na mão. Berrou como nunca fizera. Filho da puta,<br />
por que não foi de táxi? Por que nunca lembrava de nada? Os outros<br />
passageiros pararam de berrar e olhavam para aquele cabeludo<br />
branquelo, com o rosto duplamente vermelho, de cor de raiva e de<br />
sangue de uma velha. Um urro gutural. Parou. O sujeito, que também<br />
estava parado olhando para ele, com a arma a postos de calar a boca<br />
daquele playboy, falou para o cara ir pra frente. Um tiro de trás do<br />
trocador veio na perna do nego, que caiu para o lado do pivetinho<br />
morto, com a arma mirando para trás. Outra pessoa, provavelmente quem<br />
ele procurava, estava usando o trocador de escudo humano. Grandes<br />
merdas. O cara, caído, metralhou o trocador, o sujeito. Por que<br />
fresquinho, já estava frio, que merda, vou estar gripado, morto, e<br />
fudido, pensava.<br />
Sem pensar, saiu correndo do ônibus. Ao lado do carro, haviam dois<br />
carros parados fechando a estrada. Alguns negos encapuzados o<br />
encaravam, mas também não sabiam o que fazer. Cochicharam algo e<br />
riram apontado para ele. Filhas da puta, quem foi a filha da puta que<br />
acabou com a escravidão: por que o nazismo não vingou? Foi pensando<br />
nisso que correu em direção de um com toda a força de sue corpo e de<br />
seu álcool. O sujeito, com a camisa do Kleber Bambam, ficou meio que<br />
parado, apontando a arma para ele, e tentando atirar. Devia ter uns<br />
quinze anos, percebeu enquanto mordia a jugular dele. Sentia um<br />
prazer inigualável. Um dos negos amigos atirou em sua perna, pegando<br />
só de raspão. Lembrou o que lera num livro do Fonseca: com um corpo<br />
em movimento, só quatro em cada cem tiros acerta o alvo, e só um<br />
deles em algum órgão vital.<br />
Correu para o meio da favela. Via aquele amontoado de casas da<br />
janela, mas nunca pensara que iria entrar em uma daquelas casas.<br />
Corria pelos telhados. Caqralho, eu tenho que fazer algo pra me<br />
salvar. Caralho, caralho, caralho!, pensava enquanto os tiros vinham<br />
de trás. Uma sirene de polícia, pelo amor de Deus. Nada. Foi<br />
correndo, tropeçando, machucando sua perna, mas nada pior que o tiro<br />
de raspão.<br />
Num telhado cinco casebres além da estrada, caiu. Um cachorro veio<br />
lamber sua cara. Bonito, pensou, entre outros trinta e cinco<br />
pensamentos simultâneos. Você é daqui?, perguntou um garoto de sete<br />
anos que viera ver o que o cachorro tinha encontrado. Não. É de onde?<br />
Não sei mais.<br />
O garoto levou-o para dentro de seu quarto. O seu pai via o jogo do<br />
Vasco enquanto a sua mãe fodia com um cara em um quarto. Melhor, em<br />
um canto da sala, com uma cortina separando do marido. Se é que era o<br />
marido. Ficara perdido em seus pensamentos enquanto via a mulher<br />
trepar, até que o garoto voltara com um pano de chão, que achou que<br />
era a camisa do Fluminense, amarrando-a em sua perna. Isso é para<br />
você ficar melhor. Ai!, disse ao garoto apertar demais. Fica<br />
tranqüilo, já fiz muito isso.<br />
Escutou um blábláblá de pessoas chegando perto. Entrou mais e<br />
esbarrou na mulher e no cara encima dela. Ei, espera sua vez,<br />
gatinho, disse a mulher, metendo sua mão no peito cabeludo do rapaz<br />
enquanto gemia. O cara acabou batendo nele ao invés da mulher, que<br />
parecia gozar a cada porrada, pedindo mais.<br />
Acho que você se meteu em merda, amigo, disse o garoto, segurando a<br />
mão dele e sorrindo. Espera aí, o garoto estava colocando um três<br />
oito na mão dele. Este retardado estava achando que ele era um<br />
herói?! Não sei, mas ele o fez.<br />
Os soldados da favela não entraram no barraco, viram pela entrada que<br />
s~´o tinha um casal trepando, aparentemente, e um cara vendo o jogo.<br />
Não deviam ter visto onde ele caiu.<br />
Depois de uns dois minutos, tentando recuperar a consciência, o<br />
garoto trouxe duas latas de cerveja. Enquanto eles não vierem, você<br />
esta bem, disse para o cara, que ficou tremendo com a arma e a<br />
cerveja na mão. Que merda está acontecendo? Acho que estão procurando<br />
o Ronaldinho, ele tinha dedurado um pessoal daqui pros xis nove. Mas<br />
acho que eles foram tentar fazer a limpa e deu merda. Sacou? Eu sou a<br />
merda, não? Você é policial? Não que eu saiba. Você é um herói? Não.<br />
Mas você tem que ser, pra encarar o cara como você fez, disse o<br />
garoto com um olhar de frustração. Achei que você ia encarar eles.<br />
Eles quem?, Perguntou o cara, já com medo de tudo que tinha visto em<br />
suas partidas de Counter Strike.<br />
Eles, disse o garoto, apontando para a rua. Por uma faixa estreita<br />
entre os barracos, ele viu quatro sujeitos, com roupas diferentes dos<br />
outros chegando montados em algo. Estavam com roupas de couro. Não,<br />
roupas a prova de balas. Um tinha uma arma que mais parecia um<br />
lançador de spray de algo. Outro com uma metralhadora bem moderna,<br />
porém grande. Outro com uma bazuca, pelo que reconhecia de jogos,<br />
caralho, não acreditava que estava vendo coisas de jogos ao vivo. E<br />
outro com lança chamas, ou algo do estilo. Tentou ver o que era que<br />
estava montado, e para isso foi chegando mais perto, andando por<br />
entre os barracos, acompanhado pelo garoto e pelo cachorro.<br />
As monatrias&#8230; eram homens. Homens parrudos, bem parrudos. Mas dois<br />
dedles pareciam ter uma profundidade no crânio, bem no meio da testa.<br />
Fundo . E outro que parecia conseguir ver tinha um rosto de retardado<br />
mental. Eles desceram das&#8230; montarias, enquanto os homens que<br />
cercaram o ônibus vinham falar com eles, com rostos de reverencia. Um<br />
destes chegara atrás de um dos homens cavalos e começara a passar a<br />
mão em seu rabo. Ele levantara a perna e abrira mais a abertura.<br />
Caralho, eles estavam pelados! O cara começou a meter no outro ali no<br />
meio da rua mesmo, enquanto esvaziavam o ônibus.<br />
A mãe do garoto que morrera por acidente reclamara ao descer. Porque?<br />
Porque ele?. Os homens montados fizeram sinal aos três cavalos que<br />
não estavam ocupados e eles vieram para cima da mulher, na posição<br />
bípede, inicialmente, enchendo-a de socos e pontapés, e depois&#8230; o<br />
cara parara para vomitar ao ver os sujeitos que serviam de montaria<br />
comendo a mulher ainda agonizando. Algumas pessoas dos barracos iam<br />
para a janela e aplaudiam, outras pareciam que queriam tacar coisas<br />
mas eram impedidas por outros moradores ou pelo próprio medo.<br />
O garotinho empurrava-o para a frente durante o vômito. Vai, você tem<br />
que acabar com eles. Olhou para o garoto. Seus olhos estavam<br />
absolutamente vermelhos. Percebeu mais para trás uma lata de cola<br />
perto da vasilha de água do cachorro. Para piorar, via o garoto na<br />
mesma posição do cachorro. Você não vai?<br />
Ah, meu filho, que você está fazendo. Gritou a mulher ainda nua, com<br />
um pouco de porra escorrendo pelas suas coxas, ao olhar o filho e o<br />
sujeito que nunca vira perto do acontecimento. Na estrada alguém<br />
virara para ver o que era esta mulher berrando. O cara entrara<br />
correndo, sem conseguir pensar uma linha de raciocínio são. A mulher<br />
entrara e o vira na cama, ainda quente pelo resto da porra que não<br />
estava em si. Que pedaço, hoje é meu dia de sorte, disse, ao começar<br />
a estuprar o cara. Ele não podia reclamar muito, apesar do estado da<br />
mulher, ela era bem atraente fisicamente. Um belo peito e uma bela<br />
bunda. Gozara em menos de um minuto, ao escutar alguém se aproximar<br />
da cama. Levantara a arma que estava em sua mão que ficara pendurada<br />
ao lado da cama e atirara na cortina. Meu amor!, berrara a mulher,<br />
indo socorrer o suposto marido.<br />
AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH<br />
Berrara o cara, correndo por entre os barracos, descendo ladeira<br />
abaixo por onde nunca pensara. Vira que estava bem perto de casa.<br />
Continuou a correr, escutando um barulho atrás, alguns de tiro,<br />
escutando um berro que jurara que era do garoto, sem parar. Chegara<br />
na depê que havia em sua rua e jogou-se lá dentro, com a calça ainda<br />
aberta e gozada e com a perna ferida. Nenhum policial levara muito a<br />
sério o que tinha dito, mas pode sair na manhã seguinte, quando seus<br />
familiares conseguiram localiza-lo apos o sumiço.</p>
<p>::Caim::</p>
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		<title>Vozes</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Aug 2002 20:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
				<category><![CDATA[chinewski]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 46 &#8211; Rio de Janeiro, 22 de Agosto de
2002::
Vozes
Por favor, fique mais um pouco, ela implorava.
Tenho que ir, dizia ele, pedindo a conta para o garçon. Amanhã tenho
que ir cedo para São Paulo.
Ela pagou outro drinque para ele, Tequila Sunrise, um dos mais caros.
Como sabia que eu gostava? Ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 46 &#8211; Rio de Janeiro, 22 de Agosto de<br />
2002::</p>
<p>Vozes</p>
<p>Por favor, fique mais um pouco, ela implorava.<br />
Tenho que ir, dizia ele, pedindo a conta para o garçon. Amanhã tenho<br />
que ir cedo para São Paulo.<br />
Ela pagou outro drinque para ele, Tequila Sunrise, um dos mais caros.<br />
Como sabia que eu gostava? Ela riu. Ele sorriu meia boca, guardou a<br />
conta junto do maço e bebericou do drinque. Fala mais, vai. Falar o<br />
que? Já te contei bastante para alguém que não conheço. Ela pôs a mão<br />
em sua coxa esquerda e vez cara de quem queria mais. Ele pensou em<br />
leva-la para casa, mas tinha algo estranho com esta garota. Ela mal<br />
falava, mas não queria parar de escutar.<br />
Começou a falar de sua reunião do dia seguinte, que estava nervoso e<br />
tal. Ela continuava com a mão na coxa, apertando-a, como se sentisse<br />
que ele estava falando mas querendo e come-la a noite toda. Ela era<br />
linda. Tinha um rosto tão&#8230; Angelical. Tinha algo errado, tinha que<br />
ter algo errado. Achava que eram suas expressões. Enquanto ele<br />
pensava, podia jurar que ela respondia com expressões suas sensações.<br />
Mas com um olhar fixo em seu rosto, devorando cada palavra com uma<br />
concentração enorme. Como se a única coisa que ela queria no mundo<br />
era escutar suas histórias.<br />
Não, quero mesmo escutar, ela disse. Ele calou-se. O que você disse?<br />
Por que você disse isso? Nada. Ele falou boa noite e levantou-se. Ela<br />
puxou-o pela coxa, mas ele saiu apavorado com o olhar dela. Chegava a<br />
aproximar-se de obcecado. Seguiu-o até o caixa, pedindo desculpas,<br />
mas que ela tinha um problema que escuta-lo estava ajudando a<br />
resolver. A boate estava cheia, e a fila idem. Sinto muito, mas você<br />
é meio&#8230;. estranha. Ela viu que não ia adiantar de nada. Deu-lhe um<br />
beijo forte na boca, agarrou-o com as unhas. Sai, disse ele<br />
empurrando-a, pegando seu cartão e indo-se pela porta.<br />
Virou-se e olhou para cada um. As dores de cabeça voltavam<br />
lentamente. Parecia um farejador atrás da caça. Um rapaz na parede<br />
pensou nela. Correu até lá, o envolveu com sua perna, apertou seu<br />
corpo no dele puxando-o pela bunda e lambendo sue pescoço. Ela<br />
afastou-a meio sem força. Que é isso, mulher? Que porra é essa? Ora,<br />
você não me quer? Ham, quero, mas&#8230; quem é você? Qual o seu nome?<br />
Brenda, e o seu? Não parava de lambê-lo no pescoço, tentando beija-<br />
lo, levando sua mão para a parte da frente da calça. Pedro, mas por<br />
que você está fazendo isso? Você não me quer? Você não me queria? Eu<br />
só te olhei porque você estava aqui na minha frente. Não, você me<br />
queria. E apertou seu pau, machucando o saco dele de uma forma que<br />
lhe deu uma ereção maior ainda.<br />
Jogou-a para o lado. Você é estranha, mulher. Sai de mim. Ela viu que<br />
o cara estava querendo algo mais romântico. Na ia adiantar mais.<br />
Continuou a caça de alguém. Tentava se meter em qualquer roda de<br />
amigos que estivessem conversando, mas todos a olhavam , a<br />
estranhavam. Sim, era para ser estranhada, ela sabia. Mas que<br />
falassem com ela. Um cara na frente quase fora atropelado e não<br />
pensava nada com nexo. O garçon ia cuspir no copo do sujeito que o<br />
chamou de escravo. Não!<br />
Procurou um bêbado. Não podia ser difícil de encontrar. No bar, é<br />
claro. Um grupo de bêbados. Não, não servia, eles não iam deixa-la<br />
junto, e ela não queria nada grupal. No canto, um cara sozinho com<br />
olhos semicerrados olhando para o copo.<br />
Oi, está sozinho? Ham? Está sozinho? Quem é você? Eu não to bêbado<br />
não, pode zentá. Ela sentou, vendo que o sujeito não conseguia falar<br />
coisa com coisa, mas não parava de falar ao menos. Ficou o resto da<br />
noite com aquele bêbado. Usou-o, revezando comida e refrigerantes com<br />
doses de bebida, para mantê-lo bêbado, porém acordado e em condições<br />
de conversar.<br />
Arrastou-o para o motel, após uma boa chupeta no banheiro, evitando<br />
que ele vomitasse. Ela não o deixou respirar. Ficara até com medo<br />
dele ter um enfarte, tamanha a falta de fôlego que ele estava. Após<br />
uma boa vomitada no banheiro, enquanto ela fazia tudo para se<br />
concentrar na música, ele voltara inteiro, para o pesadelo dela.<br />
Tenho que ir pra casa, minha esposa está me esperando. Por favor,<br />
fica mais. Não posso, se você não tem ninguém não sabe como é. Por<br />
favor, não me deixe só. Tenho que ir. Então, no mínimo, me leve para<br />
casa.<br />
E assim o fez. Levou-a. Tentou manter-se quieto, mas ela não deixava,<br />
perguntando o tempo todo sobre qualquer coisa, até colocando o<br />
taxista na roda. Ela subiu correndo para casa e trancou-se no quarto<br />
com a música no máximo. Não apagara as luzes, sempre achara que sem<br />
luz o som chegava mais rápido. O porteiro não fechara a porta, e<br />
estava chifrando a mulher. Merda, ela continuava sentindo. O cachorro<br />
queria ir passear, mas o dono dormia. Tudo vinha em sua cabeça e ela<br />
não conseguia agüentar. Escutava tudo ao seu redor, ao redor do<br />
planeta, alguns até fazendo a volta e atingindo sua cabeça um segundo<br />
depois (ou menos). Aumentou o som, mas não adiantava. Berrava e<br />
chorava. Urrava com um sentimento de dor e tristeza que já fizera<br />
várias pessoas se mudarem da vizinhança. Tentaram-na expulsar, mas<br />
não conseguiam. Ela sempre tinha algo misterioso sobre a vida<br />
particular de cada um para usar como ás na manga.<br />
Berrou a noite toda, até seu corpo cair sem forças e seu espírito se<br />
regurgitar de dor pelo espaço.</p>
<p>::Paulo marinho::</p>
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		<title>Addicted To You</title>
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		<pubDate>Tue, 28 May 2002 20:19:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 45 &#8211; Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2002::
Addicted to You &#8211; Alec Empire
Escutou que bateram na porta, apesar do som alto. Fingiu que não percebera. Sabia que sua mãe entraria e ficaria a perturbando, falando que era pra ser assim, que não adiantava chorar (não se chora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 45 &#8211; Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2002::</p>
<p>Addicted to You &#8211; Alec Empire</p>
<p>Escutou que bateram na porta, apesar do som alto. Fingiu que não percebera. Sabia que sua mãe entraria e ficaria a perturbando, falando que era pra ser assim, que não adiantava chorar (não se chora por leite derramado, ela sempre dizia).<br />
Mas ela queria chorar. Berrar até perder a voz.<br />
Foi muito&#8230;assim. De repente. Ok, ela sabia, em algum lugar dentro, que este dia estava chegando. As brigas constantes, a falta de entendimento&#8230; mas quando chega, você nunca acredita.<br />
As caixas de som dançavam no chão com o baixo e batidas sonoros do drum and bass de Alec Empire. Alec Empire. Ela nem sabia que nome era este há dois anos atrás. Foi no mesmo dia em que resolvera chorar as mágoas de ter bombado no vestibular (não pensa em plural, vestibulares, porque aí a ferida ia se abrir de novo). Foi pra Bang!, suas amigas sempre falavam de lá. Achou fantástico o lugar, telão passando capítulos inéditos dos Simpsons e Arquivo X. Dois shows simultâneos. Lá em cima, uma banda de faculdade que parecia um rock dos anos sessenta, bem dançante. E uma banda gótica embaixo, perto da cozinha e do bar. Preferiu ficar no bar, tomando suas cuba libres e revezando o olhar entre o telão e o guitarrista da banda gótica.<br />
Achou-o lindo. Uma jaqueta de couro, o rosto maquiado, com um batom vermelho. E um ar tão.. distante, tão perdido na música.<br />
Sempre pensou: Relacionamentos que começam em lugares como boates e raves nunca vão pra frente. Porque nunca seguia seu instinto?<br />
Ele percebera-se notado. Depois do show, aproximou-se diretamente, dizendo que se o mundo acabasse naquele momento, ele não podia morrer sem ter dado um beijo naquela garota linda. Ela não resistiu ao galanteio e ao efeito do álcool na cabeça e beijou-o, antes mesmo de saber seu nome. Ele , abrando-a com força, levantou-a. Fizera o que nunca tinha, foram para uma escada, o fudedródomo, como chamavam, que descia para uma sala fechada , um porão(depois soubera que lá havia muita droga), e transara com ele ali mesmo. Sem nem tirar sua calcinha, só a chegando para o lado e prendendo-se nas paredes. Nunca gozara tanto. Melhor, nunca gozara.<br />
-Prazer, meu nome é Alex. E adorei você. &#8211; ele disse, ao segurar sua cintura e coloca-la em segurança no chão. Paixão a primeira vista, ou trepada.<br />
E depois ela passou a ser como uma roadie da banda. Ia a vários lugares da cidade, chegou até a viajar com eles para São Paulo, num festival de bandas independentes, sempre sem largar dele. Após os shows, iam para algum bar e ficavam batendo papo. Ele nunca deixava ela falar sobre faculdade, vestibular, nem nada. Falavam sobre a vida, sobre eles, sobre tudo que não fosse sério demais. Seu olhar as vezes se perdia no nada e ela ficava olhando, admirando. Como ela adorava ser ela a ficar marcada de batom e sentir o cheiro dele (pensando bem, o cheiro nada mais era do que couro da jaqueta).<br />
Passou-se um ano nesta fase. Ele raramente ia na casa dela, quando o fazia, mal entrava, era só para busca-la para o show. Não viam-se muito pela semana, ele passava o dia todo na faculdade de filosofia e a noite ensaiava com a banda, enquanto ela fazia cursinho.<br />
E aí veio o problema. Ela passou.<br />
Como as imagens vêm na cabeça facilmente, pensava ela, acendendo outro cigarro. Merda, ele me passou este vício. Mais batidas na porta. O cheiro de cigarro estava inconfundível. Não tinha mais como esconder.<br />
Não tinha mais como viver&#8230; sem ele. O cigarro?&#8230; Não, sem ele&#8230;<br />
Estavam na mesma faculdade, só que ela fazia Direito noturno. O salário de seu pai não agüentava mais as contas, principalmente tendo uma filha que saía tanto, e ela teve que começar a trabalhar na tarde.<br />
Uma loja de cds, nada melhor pra ela. Alex vinha vê-la com os amigos e amigas às vezes. Nunca dando muita atenção. Começaram a ter muitas brigas, por ele andar sempre distante, por estar sempre abraçado à amigas (até amigos&#8230;mais vezes amigos que amigas), por sumir e não avisar, entre várias outras discussões. Mas sempre quem reclamava era ela. Ele nunca levantava um pio sobre ela, somente em discussões, onde ela sentia claramente que ele usava as palavras para culpá-la de algo.<br />
Nunca conseguia responder a altura e, quando não estavam brigando, ele falava que era pra treinar a dialética dela, afinal, estava fazendo direito. Como eu era cega de levar isso a sério!, revoltou-se.<br />
Pegara as fotos que estavam guardadas numa caixa em formato de coração debaixo de sua cama. A caixa que ela mesma comprara pra ele. Já que Alex não queria levar &#8220;tranqueira&#8221;, como falava, pra casa, ela começou a usar como guarda-recordações do namoro. Olhava como sorriam nas fotos. Olhando bem, o sorriso dele nunca era um sorriso. Era somente o sorriso fotográfico, sabe? Às vezes até daqueles feitos com batom, como aquele cara das revistas de super herói que ele lê&#8230; Coringa, era assim que eu chamava-o as vezes&#8230;<br />
Depois de uns meses, ela resolveu radicalizar. Parou de procurá-lo.<br />
Ele ligava, ela respondia, mas não dava muita bola. Até que ela não agüentou e foi em sua casa, chorando, que não conseguia ficar sem ele, etc. Aquele papo desesperado de sempre. Foi nesta época que ele começou a falar de ter um relacionamento mais aberto. Veio com teorias filosóficas e ela com réplicas cristãs. Nunca vai esquecer o que<br />
disse: Nenhuma cristã fode em escada ,fuma ou bebe como você faz. Ela chorou mais, e chegaram meio que num ponto onde tinha acabado com o relacionamento em si, mas nenhuma parte assumia.<br />
Foi picotando foto por foto. Jogando fora cada cartinha que ela escrevera (ele só dava cartões daqueles que já vem escritos, e colocava um desenho ou um pedaço de letra de música, mas falar algo além de &#8220;te adoro&#8221;, nunca).<br />
Ela continuava indo nos shows, e vendo-o ficar descaradamente com outras garotas. Estavam começando a fazer um certo sucesso em faculdades, ele estava ficando popular. Discutiam no dia seguinte (claro, porque ela saia no meio do show, puta da vida, e ele só dava notícias no dia seguinte, com uma voz morgada), e tudo continuava assim. Faltava força de vontade para parar de vê-lo. De tê-lo.<br />
Até que, nesta tarde, ele resolvera levá-la para sua casa. Que rara espontaniedade, pensara. Chegando lá, ficaram se namorando, ela ficando feliz. Até que uma amiga dele chegara. Não entendera muito bem, ele chamando-a para dentro, dando uma cerveja. Até que ele, sentado na cama, abraçara-a pela cintura e chamara Alê para sentar-se.<br />
Foi, nervosa, até que percebeu que ele estava acariciando as duas. Ela levantou-se, reclamando dele, e ele puxando-a de volta. Falou que ela tinha que fazer isso ou então nunca mais iam se ver. Ela foi embora e agora acabava de picotar tudo que guardara. Nem que nunca mais fosse vê-lo.<br />
Seu celular tocara. Era ele. Aos prantos, conversaram. Ela reclamou da situação, e ele lembrou de tudo que passaram. Ela parara de chorar, e começava a esboçar um sorriso tristonho ao ver tudo que ele falava cortado aos pedaços no chão vazio em sua frente.<br />
Resolvera ir para a casa dele, como pedira. Ao abrir a porta, ela viu.<br />
A mulher ainda estava lá. Filha da puta. Ela sentou-se no chão do corredor, pôs a cabeça entre as pernas e chorou. Ele saiu e sentou-se ao seu lado, deixando a garota lá dentro. Fez cafuné, falando que ele queria isso, queria assim, ia ser blá blá blá. Ela não conseguia mais pensar muito. Percebera que uma aliança no dedo dele estava prendendo em seu cabelo. Lembrou do rosto da vadia e lembrou que ela era uma das amiguinhas que ela sempre vira abraçada com ele. Perguntou sobre isso e veio uma historinha muito mal contada. Ele cantarolou uma música que fizera pra ela. Um sorriso tentando ser falso,mas ela realmente sentia algo quando ele cantarolava (será que esta música é pra mim mesma? Ah, tem que ser).<br />
Levantou-se e estendeu a mão para baixo. Vamos, ele falou. Olhou pra dentro minuciosamente e percebeu que havia um brilho na mão da garota também. Uma aliança. NÃO! Mas ela entrou. E chorou e gozou. E jurou de novo não voltar. Mas era difícil largar vícios, mesmo que o vício possa largar de você. Preferia ser uma burra feliz a uma solitária depressiva. Nem que tivesse que dividir seu vício. Com eles ou elas.<br />
Ela o queria .<br />
E ponto.</p>
<p>::Caim::</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Indiependência Carioca</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2002 20:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 44 &#8211; Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2002::
Indiependência Carioca
Lobão (dispensa maiores apresentações) tornou-se uma espécie de ícone
independente da história recente da música brasileira, quando resolveu
lutar contra o monopólio da indústria fonográfica sobre os músicos e a
música nacional. Pode-se dizer que através dele, a grande mídia
descobriu a música [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 44 &#8211; Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2002::</p>
<p>Indiependência Carioca</p>
<p>Lobão (dispensa maiores apresentações) tornou-se uma espécie de ícone<br />
independente da história recente da música brasileira, quando resolveu<br />
lutar contra o monopólio da indústria fonográfica sobre os músicos e a<br />
música nacional. Pode-se dizer que através dele, a grande mídia<br />
descobriu a música indie e abriu um pouco seu espaço aos órfãos do<br />
Circo Voador, que abrigou grandes nomes na década de 80. Muitas destas<br />
bandas tiveram sua estréia ao grande público neste extinto espaço<br />
cultural, ainda como músicos independentes. Portanto, o papel das<br />
produções independentes para a qualidade da boa música brasileira, que<br />
não vem pré-fabricada e com vendagem de cds igualmente<br />
pré-encomendadas pelas lojas, é indiscutível. Mas será que o Rio sabe<br />
valorizar seu músicos independentes? Não existe um consenso. A Casino,<br />
banda independente, acredita que não. Já o produtor Rodrigo Lariu ,<br />
dono do selo Midsummer Madness (MM Records), é otimista com relação ao<br />
mercado carioca. E Lobão reconhece que a força das grandes gravadoras<br />
é um fator que leva o músico independente a ficar em desvantagem.</p>
<p>Mas, afinal, o Rio possui um bom mercado para as bandas independentes?<br />
Para uns, o mercado carioca dá ótimas chances aos novatos. Lariu é um<br />
dos que pensam assim. Ele acredita que falta divulgação dos meios que<br />
apóiam a música indie. &#8220;Aqui têm gravadoras como a minha, a Tamborete,<br />
a Navena Music; têm revistas do porte da Rock Press; rádios como a<br />
Fluminense AM; além de organizadores como o pessoal da LOUD!, que<br />
trazem um monte de bandas legais para tocar; sem citar o Garage, a<br />
Casa da Zorra, o Néctar, o Ballroom, entre outros&#8221;, afirma o produtor.</p>
<p>A jornalista Cecília, vocalista, uma das guitarristas e letrista da<br />
banda Casino, que tem um estilo musical chamado de &#8220;bossa-rock&#8221;,<br />
discorda. Para ela, as pessoas não sabem lidar com o pequeno músico,<br />
que não tem condições de arcar com despesas como transporte para<br />
outras cidades. &#8220;Me mandam uns e-mails assim: amo sua banda, vem tocar<br />
aqui no festival de ´quixeramobim´. Pagar a passagem? Nem pensar! Se<br />
você não tem um mínimo de estrutura, não viaja e não faz show por aí.<br />
Independente só viaja se tiver pai rico ou um senhor emprego&#8221;,<br />
esbraveja Cecília. Sobre as casas que oferecem espaço para os músicos<br />
independentes tocarem no Rio, ela cita o Garage, o Bob´s da Barra, as<br />
Lonas culturais, Kashanga e Ballroom.</p>
<p>Por um mercado mais justo &#8211; Há uma parte dos músicos, principalmente<br />
os independentes, que apóiam a idéia de que todo músico deve tomar as<br />
rédeas do jogo com as grandes gravadoras, se libertando, assim, das<br />
garras da indústria fonográfica. Lobão é um dos que mais apareceram na<br />
mídia recentemente erguendo esta bandeira, afirmando que as grandes<br />
gravadoras roubam o direito autoral dos músicos e manipulam, de forma<br />
inaceitável, a música brasileira. Ele faz questão de dizer que, ao<br />
contrário do que muitos pensam, não foi o primeiro artista brasileiro<br />
a levantar este tipo de polêmica. &#8220;O Brasil está cheio de artistas<br />
honestos e indignados que vem lutando ao longo das décadas. Em última<br />
análise, deveria fazer parte da natureza do artista se rebelar por<br />
simplesmente ser artista.&#8221;, filosofa o cantor. Lobão afirma ainda, que<br />
a indústria fonográfica tem vantagens com relação aos pequenos pela<br />
questão do dinheiro, muitas das vezes, trazido de fora. Mas acredita<br />
que o quadro está mudando. &#8220;Nós seremos os responsáveis por esta<br />
mudança, não dá mais para ficar esperando o que o executivo vai fazer<br />
com o artista novo, não é verdade?&#8221; declara o roqueiro.</p>
<p>Sobre a questão do músico indie carioca ser pior do que os de estados<br />
mais conceituados, como São Paulo e Rio Grande do Sul, Lariu acha que<br />
falta é marketing às bandas cariocas. Segundo ele, os gaúchos e<br />
paulistas falam bem de si o tempo todo, e também têm a sorte de contar<br />
com jornalistas que puxam o saco deles. Já os músicos cariocas&#8230; &#8220;O<br />
povo do Rio é mais relaxado e não se autopromove&#8221; resume o produtor.</p>
<p>Uma coisa ninguém pode negar: uma das vantagens que os músicos<br />
independentes têm com relação aos que possuem uma grande gravadora por<br />
trás é notada, principalmente, no quesito estilo musical. O músico<br />
toca o que quer, mescla o que quer e ninguém mete o bedelho por isto<br />
ou aquilo ser mais vendável. A Casino é uma das bandas que mistura<br />
estilos musicais diferentes: ninguém consegue dizer se eles são uma<br />
banda que toca MPB e mescla rock ou uma banda de rock que mescla MPB.<br />
Mas Cecília diz que não se importa com estilos A ou B. &#8220;Ninguém sabe<br />
ao certo, mas também, quem se importa?! Eu quero é mais lugar para<br />
tocar&#8221;, convida-se a jornalista-vocalista-letrista. Alguém aí se<br />
sensibilizou e tem uma festa boa para chamá-la para tocar?!</p>
<p>Lobão lançou este ano o disco ao vivo &#8220;Uma Odisséia no Universo<br />
Paralelo&#8221;, à venda em bancas e lojas. A Casino está prestes a lançar<br />
um EP pela MMRecords, á venda no site (www.mmrecords.com.br) O Lariu,<br />
é o dono do selo MMRecords, que possui, além do site, uma famosa lista<br />
de discussão.</p>
<p>Leia a entrevista com Lobão na íntegra<br />
Leia a entrevista com Cecília na íntegra</p>
<p>::Tommy Molto/Letícia Cianconi::</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Armadura</title>
		<link>http://www.scrumlive.net/wordpress/2002/04/19/49/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2002 20:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
				<category><![CDATA[chinewski]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 44 &#8211; Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2002::
Armadura
Segunda feira. O cavaleiro olha para a construção em sua frente. Não
lembrava de nada além de ser torturado até arrancarem todos seus
segredos e verdades. Era enorme, devia ter uns &#8230;50 metros de altura,
e parecia haver um espaço e algo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 44 &#8211; Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2002::</p>
<p>Armadura</p>
<p>Segunda feira. O cavaleiro olha para a construção em sua frente. Não<br />
lembrava de nada além de ser torturado até arrancarem todos seus<br />
segredos e verdades. Era enorme, devia ter uns &#8230;50 metros de altura,<br />
e parecia haver um espaço e algo que só os construtores poderiam<br />
explica-lo direito, algo como uma bela imagem. Achava-a bela já por<br />
natureza, por nunca ter visto uma construção daquelas.<br />
O cavaleiro andou pelo chão de material desconhecido até que viu que o<br />
material mudara e várias charretes sem cavalos, porém cheio de<br />
pessoas, passam correndo pela vala. Olhou que havia três símbolos<br />
acima da altura dele, onde a última emitia uma luz verde. Parou e<br />
contemplou o fen6omeno, até se surpreender com uma mudança. O símbolo<br />
inferior pareceu enfraquecer-se, e imediatamente o do meio começou a<br />
se propagar. Mas ainda via carruagens, agora até mais rapidamente.<br />
Esperou até que todos os cavalos invisíveis parassem e pudesse passar<br />
por entre eles.<br />
As pessoas nas encostas achavam graça e riam dele, por estar com medo<br />
de passar pela frente das carruagens e levar uma mordida misteriosa de<br />
um cavalo invisível. Mas, como um guerreiro, não deixara o medo o<br />
impedir, e continuara até chegar a construção misteriosa. Parecia<br />
estranhamente atraído por aquela coisa. Será que aquilo seria um novo<br />
castelo erguido no lugar de algo que outrora não conhecia? Ignorou<br />
seus pensamentos (como a maior parte dos guerreiros, sic) e continuou<br />
a nadar. Viu grades erguidas. Aquilo sim conhecia. Correu<br />
sorrateiramente até adentrar na área, escutando risadas humanas que<br />
imaginara que fossem de humanos hipnotizados por maviosas hienas.<br />
Chegara no que seria um portão. Via-se sem a armadura, chegando ali,<br />
com uma bolsa na mão e algo como uma pena mais fina e sem a parte que<br />
lhe dá o nome em um bolso na roupa. Seguiu a ignorar sua imaginação e<br />
penetrara a fortaleza. Seguia um fluxo de campestres que andavam como<br />
ele tinha imaginado, sem armadura e com folhas em um formato diferente<br />
na mão.<br />
Todos estavam a frente de um bloco de metal que parecia engoli-los. E<br />
pareciam estar felizes por isso, tanto que formavam fila à sua frente.<br />
Seguiu-os com sua caneta, quer dizer, espada (o que passara em sua<br />
cabeça para mistura-los???). O pedaço de metal engolira-o, mas<br />
estranhava como isso deixara-o feliz. Era como uma peleja contra os<br />
hunos, pensou. Esperou até que o bloco se abrisse de novo. Saiu<br />
rolando pelo chão, ao meio de gargalhadas e reclamações. Entendia a<br />
língua que falavam, mas não era mais a mesma, sentia isso. Alguém<br />
falara :&#8221;Ih, o cara ta na maoir onda, nem sabe qualé que tá e já vai<br />
rolando, hehehehehe.&#8221;. Entendia, apesar de cada palavra isoladamente<br />
não fazer sentido em sua cabeça.<br />
Várias pessoas o olhavam. Reconhecia-as, sem entender o porquê. Todos<br />
estes olhavam para ele de elmo a pé, e achara que estavam com medo de<br />
sua armadura. Alguns até acenavam, e ele ficava em posição de<br />
cumprimento, com sua coluna a mais ereta possível, com a mão na<br />
cabeça. Passavam e comentavam, &#8220;O palhaço não mudou nada&#8221;. Achava que<br />
entendia e até os menosprezava por isso, mas continuava a seguir seu<br />
rumo que não sabia onde daria, mas sabia que havia de seguir.<br />
Um salão repleto de cadeiras estranhas, somente com um apoio de mão,<br />
mas não retilíneo, e sim de uma forma curva. Ficara algum tempo para<br />
sentar, mas conseguira. Seu escudo continuava empunhado, para evitar<br />
ataques surpresas. Fora ele que o impedira de entender o que alguns<br />
peões falavam para ele ao passar. Saiam revoltados de perto dele, mas<br />
ele não queria saber, sabia que havia perigo.<br />
Um homem com uma roupa típica de peão entrou, mas sua barba mostrava<br />
que na verdade era um sábio. Começara a explicar para cada um deles,<br />
escrevendo numa aprede mágica com uma pequena varinha de condão o que<br />
deveriam aprender. Queria entender aquilo, sabia que em algum lugar<br />
aquilo era claro, mas não conseguia. Só sabia que ele estava querendo<br />
ensinar um guerreiro a usar uma espada. O escudo em sua frente também<br />
não ajudava muito em entender. Saiu do salão, fitado por mil e um<br />
olhares. Não se importavam. Se um Guardião e seus nove olhos de<br />
petrificação não o parara, não ia ser estes garotos, pensou. Um deles<br />
até chegou a sair do salão para falar com ele, mas escondeu-se atrás<br />
do escudo, até fechando o elmo, de forma que o rapaz desistira e<br />
voltara para a escola de guerreiros.<br />
Matutou um pouco, andando por pequenas serras, e chegara aonde seu<br />
raciocino chegara simultaneamente. Ao Templo da Filosofia. Lembrara<br />
como adorava gastar tempo conversando com estes estudiosos da vida.<br />
Andara até seu salão secreto, que não tinha idéia como tinha certeza<br />
de onde era. Chegara lá e vira vários sábios que lembrava de ter<br />
conversado após várias pelejas, porém a maior parte estava jogada na<br />
cadeira, olhando para o teto como se agonizados. Pensou no que poderia<br />
ser e lembrou de um rosto. Sua donzela. Ela vivia ali. Só podia<br />
traduzir aquilo em uma coisa: traição de algum mau mago.<br />
Andara mais um pouco e encontrara um corredor escuro. Acendera um dos<br />
lampiões que vira que tinha, e tragara. Não sabia por que, mas<br />
aparentemente aquilo fazia eles acenderem e durarem mais. Havia uma<br />
inclinação. Uma escada!, concluiu. O breu aumentava assim com sua<br />
determinação.Escutava barulhos. Sons da voz de sua donzela. Pedindo<br />
para alguém não fazer algo. Estava no caminho certo.<br />
Encontrara com ela. Sua pura e doce donzela. Aquela que sonhara ser a<br />
sua donzela. Estava entre dois magos. Não, não eram magos. Eles a<br />
cercavam e a seduziam. E a dominavam. Eram camponeses. Normais.<br />
Estranhos, com cabelos e cheiros esquisitos, mas normais. Mas era sua<br />
donzela. Levantara sua espada e começara a bater em um.<br />
Não, Caim, não, ela exclamou. Ele olhara no fundo de seus olhos. Ela<br />
tinha que estar possuída pelo demônio. Ou então ser o demônio. Um dos<br />
camponeses tentara ir para cima de Caim, mas ela o puxara para perto<br />
de si, colocando sua coxa entre as dela, enquanto o outro a beijava.<br />
Ela fitara-o de novo, entre um beijo e outro. Ela não era nada. Ela<br />
era uma pessoa.<br />
Viu-se por debaixo da armadura.<br />
Não era um guerreiro, era apenas mais um camponês com armadura, com<br />
medo dos animais que surrateiramente andavam por aí.<br />
Sai correndo. Desceu todas as escadas possíveis, até ver a terra de<br />
novo. Era pouca, e uma das charretes misteriosas passava por ela.<br />
Ele a beijou e ficou ali, estendido no chão, sentindo-se cada vez mais<br />
desprotegido mesmo que sentisse sua armadura e escudo pesando.<br />
Pensou que não conhecia Jesus. Pensou que não conhecia nada além das<br />
tradições dos cavaleiros. Pensou no que houvera com sua donzela.<br />
Pensou em matar-se com sua espada.<br />
Pegou-a e encravou-a em seu peito.<br />
Não havia dor.<br />
Só vergonha. Parecia que a armadura crescia.<br />
Risos.<br />
Uma caneta na mão e várias pessoas o olhando.<br />
Queria reconhecer que ali não era seu lugar. Conseguiu ver REALMENTE<br />
sua armadura. Mas reconheceu. Ali era somente mais um lugar humano.<br />
Dos homens. Dos seres humanos.<br />
A armadura continuou. Ele continuou. Mas entendera porque estava tão<br />
perdido. Era porque ele , infelizmente, se encontrara no meio das<br />
escadas de uma selva de pedra, e não havia ninguém, pelo menos que<br />
conhecesse, para poder falar sobre isso.<br />
Continuou. Com sua armadura. E sua dor. Ela que o fizera perder-se.<br />
Antes não a tivesse. Consciência mata.</p>
<p>::Caim::</p>
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		<title>Never gonna stop the flow</title>
		<link>http://www.scrumlive.net/wordpress/2002/03/26/50/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Mar 2002 20:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
				<category><![CDATA[chinewski]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 43 &#8211; Rio de Janeiro, 26 de Março de 2002::
Never gonna stop the flow
Não vou me repetir. Não vou escrever as mesmas palavras. Já falei aqui várias vezes por que estou aqui. Mas então por que diabos estou escrevendo isso?
Por que não para de escrever e repetir isso?
Porque eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 43 &#8211; Rio de Janeiro, 26 de Março de 2002::</p>
<p>Never gonna stop the flow</p>
<p>Não vou me repetir. Não vou escrever as mesmas palavras. Já falei aqui várias vezes por que estou aqui. Mas então por que diabos estou escrevendo isso?<br />
Por que não para de escrever e repetir isso?<br />
Porque eu não consigo parar de escrever.<br />
E ler.<br />
E tocar.<br />
E escutar.<br />
E ver.<br />
E observar.<br />
Aqui vejo muita gente. Marqueteiros, jornalistas, poetas, já vi até historiadores passando linhas por aqui.<br />
Tenho músicas gravadas. Tenho livros escritos. Tenho um blog. Uma amiga daqui me perguntou : Como você consegue fazer tanta coisa assim?<br />
Eu me pergunto hoje: Como consegui ficar tanto tempo sme fazer estas coisas?<br />
Sou um cara sentimental que me dá raiva. Observador, quieto. Meu apelido no trabalho é psicopata por isso. Estranho, que somente uns sabem que escrevo contos que realmente dariam sentido ao que falam.<br />
Mas não consigo parar. Hoje vi uma velha no ônibus. Quieta. Sozinha.<br />
Escutando seu walkman. Mas não consegui parar de fitá-la e pensar sobre ela.<br />
De sentir ela.<br />
Sentir as pessoas.<br />
Cheguei no trabalho e escrevi. E vou publicar aqui ao lado. Ali em clica ni mim.<br />
Queria um dia poder viver disso. Não quero fama. Não quero dinheiro.<br />
Não quero porra nenhuma. Só poder continuar escrevendo e talvez mexendo com a cabeça das pessoas.<br />
Me dar prazer e dar prazer. Dar vida.<br />
Estou dando um pouco de vida a este espaço.<br />
Um filho adotado.<br />
Nào vou escrever pequeno para internet. Não vou deixar de falar de perversões.<br />
Não vou deixar de falar.<br />
Acho que vejo coisas que muitos não vêem e a maior parte nem que pensar e falar.<br />
Eu quero cutucar.<br />
Eu vi a sua alma. Vi sim, estava bem claro em sua retina.<br />
E vou escrever disso.<br />
Apesar de nunca ter te visto.<br />
Já faz um ano&#8230; it&#8217;s a long way, baby. Faz um ano que voltei a escrever como sempre quis desde criança.<br />
Vou em uma linha dar os motivos:</p>
<p>Dead Poets Society Historia Sem fim Sebadoh Renato Russo Cazuza Monteiro Lobato Sandman Amor Sócrates Alan Moore Paixão Sexo alvares de Azevedo Sexo Bebes Stephen King Música Orgasmo David Bowie Peter Pan Dexter Morte Universo Sexo Morte Assassinato Grant Morrison Vida Rubem Fonseca Goonies Traumas de Infancia Sentimentalismo Shakespeare</p>
<p>Simples, não? É óbvio.<br />
ah, esqueci de um motivo. Eu sei que o que eu falei você não quis escutar.<br />
Mas em algum lugar você escutou<br />
E sentiu.<br />
Quer mais?<br />
É só continuar voltando<br />
E vou continuar escrevendo você sabe sobre o que.</p>
<p>Valeu pelo apoio. Vocês sabem quem são. Vocês sabem quem serão.<br />
Sejam.</p>
<p>::Tommy Molto::</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Marx ou Bakunin?</title>
		<link>http://www.scrumlive.net/wordpress/2002/03/26/51/</link>
		<comments>http://www.scrumlive.net/wordpress/2002/03/26/51/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2002 20:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Marinho</dc:creator>
				<category><![CDATA[chinewski]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 43 &#8211; Rio de Janeiro, 26 de Março de 2002::
Marx ou Bakunin?
Acabei de ler o cavaleiro das Trevas 2. Não, quem me dera ser a obra completa. O Chinewski tem o prazer de dizer que será o primeiro zine a comentar a obra. Li duas vezes as duas edições [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>:: CHInewsKI Online &#8211; Edição nº 43 &#8211; Rio de Janeiro, 26 de Março de 2002::</p>
<p>Marx ou Bakunin?</p>
<p>Acabei de ler o cavaleiro das Trevas 2. Não, quem me dera ser a obra completa. O Chinewski tem o prazer de dizer que será o primeiro zine a comentar a obra. Li duas vezes as duas edições já lançadas pela Abril.<br />
É só o que sobrou da ala super-heróis, os heróis da DC Comics (para quem não sabe, SuperHomem, Batman, Lanterna Verde, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, Flash, entre outros não tão famosos).<br />
Nos anos oitenta, algumas revistas me marcaram a vida. Uma foi Watchmen, que até hoje acho, talvez, insuperável. Sandman também me marcou no fim destes anos. Mas nada barra o Cavaleiro das Trevas (como chamam o Batman), já velho, lutando contra a tirania e a apatia que tomara a nação. Um clássico não de quadrinhos, mas da literatura, assim como os que citei antes, pois o que mais marca não são os desenhos, mas os roteiros perfeitos feitos.<br />
Quinze anos depois, Frank Miller, o autor do primeiro, lança esta continuação. Não vou falar que estava ansioso. Para mim, o primeiro era uma história fechada, sem brechas para continuação.<br />
Mas a História parou?<br />
Não.<br />
O Onze de Setembro aconteceu. O mundo está em crise e ninguém faz nada. Não há revoluções, nada. Algumas guerras que as mídias de cada país tentem apagar. Surgem-me nas mãos um livro de Noam Chomski sobre o Onze de Setembro&#8230;surge o Pasquim21&#8230;surge o Hora do Povo, o jornal mais radical do país, mas que às vezes exagera&#8230;.<br />
E surge Cavaleiros das Trevas 2.<br />
Não é uma obra prima como o primeiro. Mas não posso afirmar isto.<br />
Lembrem que &#8220;O Planeta dos Macacos&#8221; só virou um clássico pela cena final. Impressiona-me saber que o roteiro da história foi feito antes de Onze de Setembro. Engraçado estar fazendo uma resenha de uma revista em quadrinhos e não conseguir parar de falar nisso. Mas isso não é um &#8220;gibi&#8221;. É uma história. Em quadrinhos.<br />
Muito foi-se estragado. Mulher Maravilha e Super Homem terem uma filha? Ressuscitar heróis de segunda categoria? O Capitão Bumerangue (um dos meus prediletos, que até apareceu no seriado do The Flash) aparecer? Que apelo!!!<br />
Mas algo salva tudo.<br />
Vou parafrasear Bruce Wayne, que, para quem leu até aqui, não acredito que não saiba que é o Batman:<br />
&#8220;O mundo precisa de heróis.&#8221;<br />
A primeira vez que li esta frase, ela pra mim soou diferente. Mas ao continuar a ler a história, fiquei em dúvida de quem ele estava colocando como herói. Bin Laden? A maneira de que ele coloca as narrativas de Questão (um herói sem rosto) e Arqueiro Verde (literalmente um Robin Hood) são absolutamente marxistas. A idéia de querer deixar o povo novamente no poder, acabar com a mídia que domina a mente apática das pessoas, não deixa dúvida.<br />
Mas a história é de Batman.<br />
E ele quer quebrar todo mundo.<br />
Ele é Bakunin. Lidera uma gangue de púberes com máscaras dele (alguém lembrou da crítica de Eminem em The Real Slim Shady?) que só querem derrubar o poder. O que virá depois? Não sabem, mas querem derrubar o poder. Querem que cada um saiba o que faz. Sem influências.<br />
Já temos jogadas tão geniais quanto a primeira versão de Dark Knight.<br />
As heroínas &#8220;a la Britney Spears&#8221;, que só falam &#8220;tipo assim&#8221;, de colant nas ruas, as votações via internet, a ex-Mulher-Gato sendo uma hacker, as &#8220;jornalistas&#8221; dando notícias nuas para atrair o Ibope (que já é a prova do que eu estou falando, se entenderam), são sensacionais. São o que fazem a gente sentir o prazer das histórias em quadrinhos.<br />
Pecados capitais das histórias em quadrinhos foram feitos. Isso de colocar Lex Luthor como o grande vilão, com comparsas, foi péssimo.<br />
Foi querer reviver a luta do Bem e o Mal. Eles são os únicos que vão contra a narrativa Frank Miller, ou seja, são os únicos que são maus mesmo, sem dúvidas. Até o Super Homem, você não sabe ao certo de que lado estão.<br />
Nota queridíssima para Jimmy Olsen, como o jornalista paranóico que revela a verdade em rede nacional. Sensacional é pouco.<br />
Mas não vou criticar.<br />
O desgraçado conseguiu de novo.<br />
Eu estou (e sei que pessoas que são quinze anos mais novos que eu) reavaliando sobre a situação mundial. Sobre a falta de &#8220;heróis&#8221; como Malcolm X, Lênin, e até Gandhi, um dos maiores em minha opinião. A falta de inimigos declarados como Hitler, Genghis Khan e Atila.<br />
A guerra está aí fora, sem heróis nem vilões.<br />
Mas o Onze de Setembro foi a prova de que há uma guerra que poucos vêem.<br />
Falta uma edição para saber o que Frank guardou para o desfecho de &#8220;seu mundo&#8221;. Sei que ele escreveu o último (pasmem, somente este último), depois do dia das torres.<br />
E falta pouco para que jovens vejam realmente o que aconteceu, sem a narração do Cid Moreira, dizendo que Bin Laden é mau, Bush (qualquer<br />
um) é bom.<br />
Não há mais espaço para bons e maus.<br />
Mas ainda há espaço e chance, de heróis.; Será que Frank Miller criará, de certa forma, um, com sua próxima edição?<br />
Aguardem em um mês.<br />
Podemos não ter um próximo Martin Luther King, mas teremos pessoas que, espero, pensem mais, mesmo que pelos quadrinhos.</p>
<p>::Paulo Marinho::</p>
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